Onças-pintadas são mortas atropeladas

19/09/2001


Laury Cullen Jr


Onças-pintadas são mortas atropeladas

Onça pintada, monitorada pelo projeto, atropelada e morta na rodovia. A redução da população quebra a cadeia natural e provoca o aumento desordenado de espécies que ficam sem o predador


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O excesso de velocidade, a falta de conscientização dos motoristas e a inexistência de redutores de velocidade e placas de sinalização na SP 613 (rodovia Arlindo Bétio) estão ameaçando a sobrevivência das onças-pintadas na região oeste de São Paulo. A denúncia é do pesquisador Laury Cullen Jr.  que há quatro anos coordena o projeto Detetive Ecológico, pioneiro no estudo de carnívoros no Parque Estadual do Morro do Diabo e apontado como uma referência internacional para os estudos de ecologia de mamíferos.
De acordo com o pesquisador, a Panthera onca (nome científico da onça-pintada) pode desaparecer do Parque Estadual do Morro do Diabo num prazo de cinco anos, caso seja mantida a média anual de três mortes provocadas pelos atropelamentos naquela Rodovia. “A primeira conseqüência é a quebra da cadeia natural provocada pela falta de predador que fará com que haja um crescimento desordenado dos animais que são caçados pela onça como a  capivara, paca e tatu, entre outras espécies”, explica.
Segundo cálculos do pesquisador, a dimensão do Parque do Morro do Diabo (37 mil hectares) tem um potencial para abrigar 40 onças-pintadas mas este número não chega a 10 indivíduos, em virtude principalmente dos atropelamentos que estão reduzindo a população.
“De 1994 até o ano passado, 22 onças-pintadas foram atropeladas na rodovia. Nesse número estão descartadas as mortes naturais e também ficam de fora os felinos que são mortos mas não encontrados”, explica Cullen Jr.
Programa - Desde a implantação, em 1997, o programa Detetive Ecológico monitorou 20 animais, entre onças-pintadas, onças pardas e jaguatiricas. Do total, 6 são onças-pintadas e 4 delas, isto é 65%, foram mortas. Na opinião do pesquisador, a população da Panthera onca está se aproximando de um número crítico, do qual pode não haver retorno, por causa do empobrecimento genético. ‘‘Os predadores de topo de cadeia atuam como fator de controle sobre o que vem abaixo deles. É como se fosse um filtro, que força todas as espécies a melhorarem geneticamente. A perda da onça-pintada é irreparável’’, afirma Cullen Jr.
Para ele, a solução para eliminar o perigo de extinção, é resolver o problema da alta velocidade nessa rodovia e, mais especificamente, a urgente implantação de redutores de velocidade, alambrados e túneis nos pontos mais críticos de passagem desses animais. O Ministério Público local e regional entrou na luta contra os danos causados pelos atropelamentos e está exigindo que o DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) implante um programa preventivo para acabar com a matança de onças na estrada que corta em 12 quilômetros o interior do Parque. ‘‘Tem que levar o assunto a sério, para pelo menos segurar essa tendência drástica”, conclui o pesquisador.
De  acordo com o promotor regional de meio ambiente, Nelson Bugalho, a ação proposta pelo Ministério Público manifesta preocupação com a segurança das pessoas, já que o atropelamento contra um grande animal pode representar também perigo de vida para os motoristas.  Segundo ele, as medida propostas pelo MP, visando a segurança dos animais e das pessoas, procura conciliar os aspectos da legislação de trânsito e da unidade de conservação, “o que representará ganho para todos – gente e natureza.”





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