Fauna e flora

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Laury Cullen Jr


Fauna e flora

Onças-pintadas - aqui capturadas para fins científicos pelos pesquisadores Carlos Prateiro e Fernando Lima - indicam os traçados do corredor ecológico


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O conjunto das unidades do Corredor de Biodiversidade do rio Paraná está inserido em área de domínio da Mata Atlântica, composto também de grandes ecossistemas úmidos, que abriga espécies endêmicas e a maior porção da floresta estacional semidecidual, hoje reduzida a 4,2% de sua área original. São cerca de 700 mil hectares de áreas protegidas nos três países onde sobrevivem os grandes felinos sul-americanos, como a onça-pintada (Phantera onca), o verdadeiro rei da selva, onça-parda (Puma concolor), além de jaguatiricas e outros gatos-selvagens. Abriga ainda as aves grandes predadores neotropicais como o gavião-real e o gavião-de-penacho, as últimas populações  do cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), ao menos quatro espécies de primatas como os macacos bugios Aloutta caraya (bugio-preto) e o Aloutta fusca (bugio-vermelho), Cebus appela (macaco-prego) e o mais ameaçado de todos, o Leontopithecus chrysopygus, o mico-leão-preto, esse espécie endêmica do oeste de São Paulo, onde só sobrevive no Parque Estadual do Morro do Diabo e nos pequenos fragmentos da Estação Ecológica Mico-Leão-Preto.  Entre outros animais dos ecossistemas, podemos destacar também antas, veados, quatis, queixadas, lobo-guará, lontra, ariranha e várias espécies de distribuição restrita e ameaçada de extinção.  

Répteis e anfíbios também são encontrados em grande diversidade. Entre eles, estão jacarés, tartarugas e serpentes, incluindo diversas espécies endêmicas do gênero Bothrops, como a Bothrops jararacusu. Há também grande diversidade de lagartos, anfíbios, como o sapo Bufo crucifer, e rãs como Osteocephalus langsdorffi, Hylla faber e Phyllomedusa iheringi. (WWF)
O desenvolvimento de projetos sobre os grandes carnívoros neotropicais na ecorregião está identificando os principais corredores e rotas que os animais usam em suas incursões e reforçando não só a importância dos grandes remanescentes da Mata Atlântica como também o valor biológico dos pequenos fragmentos florestais como ‘trampolins ecológicos’ ou rotas de dispersão na paisagem regional. (IPÊ)
Além das florestas semideciduais, as unidades que integram o corredor detêm porções significativas da floresta estacional decidual, floresta ombrófila mista e Cerrado. Quando os europeus chegaram ao Brasil há mais de 500 anos, a Mata Atlântica ocupava uma área de 1,4 milhão de km2, ou seja, 17% do território nacional.  A sua vegetação recobria 17 estados partindo do litoral brasileiro desde o Piauí ao Rio Grande do Sul mas também se estendendo quilômetros adentro pelo interior atingindo estados como Minas Gerais, São Paulo, Paraná e sul de Goiás e sul do Mato Grosso do Sul. No entanto, enquanto a floresta  ombrófila densa - por exemplo a do litoral de São Paulo e Paraná - é a formação mais preservada da Mata Atlântica, com 22% da sua área original, as florestas estacionais semidecidual e decidual são as mais ameaçadas e fragmentadas com respectivamente 4,2% e 3% da área original remanescente.    
Uma das características da Mata Atlântica é abrigar espécies animais e vegetais com ampla distribuição geográfica e ao mesmo tempo apresentar alto grau de endemismo com aquelas espécies que só ocorrem em uma única região e em nenhum outro lugar do planeta. Isso faz supor que, ao chegarem no limite da destruição, as florestas mais alteradas podem ter perdido espécies antes mesmo de terem sido catalogadas ou que, quando são encontradas, passam imediatamente à condição de espécie em extinção.
 
 
Aves
 
 
Na ecorregião do Corredor, ocorrem cerca de 500 espécies de aves, incluindo cinco variedades de tucanos, além de macucos, jacutingas, patos-mergulhão e duas espécies de araras, a Ara chloroptera e a Ara ararauna.  Estudos do  Proaves – Associação Brasileira para Conservação das Aves, com o apoio do Cemave – Centro Nacional de Pesquisa para Conservação das Aves Silvestres - Ibama, na região do reservatório de Porto Primavera, indicam a ocorrência de uma nova espécie para o estado de São Paulo, o Amblyramphyus holosericeus (cardeal-do-banhado) e a ocorrência de espécies altamente sensíveis a distúrbios no habitat como colhereiro, águia-pescadora, o corta-água, batuíra-de-coleira, peixe-frito-pavonino e o arapacú-beija-flor.  Dentre as espécies encontradas na região, foram detectadas 21 que se encontram em várias categorias de ameaça, segundo a Lista Vermelha da Fauna Ameaçada no Estado de São Paulo, destacando inclusive espécies consideradas extingas no Estado como a Paroaria capitata, Ara nobilis e Amazona xanthops. 
Recentes aparições da harpia foram detectadas por pesquisadores da Cesp – Companhia Energética de São Paulo, no Mato Grosso do Sul, em matas nas proximidades do rio Paraná, no município de Anaurilândia. O Plano de Manejo do Parque Estadual do Morro do Diabo apontou a ocorrência naquela unidade de uma nova subespécie de borboleta. 
 
 
Ictiofauna
 
 
As florestas dessa ecorregião desempenham um papel importante na conservação dos rios. A ictiofauna (relativa a peixes) inclui cerca de 300 espécies de peixes e convive com uma grande diversidade de animais aquáticos vertebrados e invertebrados, o que torna a ecorregião uma das recordistas em diversidade de espécies de água doce. (WWF) A grande diversidade de peixes ocorre principalmente nos trechos livres e ainda não represados do rio Paraná e nos seus principais afluentes mas novas espécies da riquíssima ictiofauna têm sido encontradas também em pequenos córregos e ribeirões protegidos como no Parque Nacional do Iguaçu e  no Parque Estadual do Morro do Diabo. 
A água, enquanto farta e elemento dispersor de sementes e propálogos, desempenha papel relevante na formação do corredor. Garantindo a continuidade de vida destas espécies, esse patrimônio natural está localizado sobre o Aqüífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água do mundo, que se estende por mais de 1,2 milhão de km2 na região centro-oeste do Brasil. (WWF)
  
 
Flora
 
 
Se a fauna é rica, a flora não deixa também de ser especial. São mais de 250 espécies de árvores, algumas com ocorrências locais e outras ameaçadas de extinção.  Entre elas, destacam-se peroba-rosa, cedro, pau-marfin, jatobá, cabreúva, marmelo, capinxingui, imbuia, orelha-de-negro, jacarandás, canelas jequitibás, ipês etc. Nos ecossistemas associados ao Corredor, estão um dos maiores estoques de peroba-rosa (Aspidosperma polyneuron) e imbuia (Ocotea porosa) da América do Sul, principalmente em remanescentes de floresta nos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. O Parque Estadual do Morro do Diabo, em São Paulo, abriga a maior reserva de peroba-rosa do estado. As variações do meio ambiente local e o tipo de solo possibilitam a ocorrência de outras diferentes comunidades de plantas com espécies características da Mata Atlântica, Cerrado, Floresta Amazônica e Caatinga. 
São dezenas de variedades de bromélias e orquídeas, algumas das quais raras, pouco conhecidas e outras jamais estudadas pela ciência. No Parque Nacional do Iguaçu, onde os estudos estão mais avançados, foram encontradas mais de 80 variedades de orquídeas.  




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