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02/01/2010
Roberto Valverde

Nossas florestas estão sendo dizimadas pela ganância dos homens que estão transformando o Brasil em deserto. Grileiros, madeireiros e bandidos estão acabando com a nossa flora, nossa fauna e toda a proteção que a natureza nos proporciona, por meio dos serviços ambientais que nos são prestados gratuitamente. Belas florestas são transformadas em pista de pouso de aviões do tráfico. O Brasil é um dos principais consumidores de agrotóxicos por hectare do Planeta, do que provoca doenças nos trabalhadores rurais: transtornos psiquiátricos, ansiedade e depressão, que muitas vezes os levam ao suicídio. São intoxicações agudas por herbicidas e inseticidas. Tudo que rodeia o homem faz parte da sua existência, e ele não pode ignorá-lo. O planeta indubitavelmente sofre muito com a agressão do homem. Os cataclismos que vêm ocorrendo, e que cada vez serão mais fortes, causarão mudanças desastrosas no clima e na estrutura e na composição dos elementos da Terra.
Se estudarmos o corpo humano, saberemos que ele é constituído dos mesmos elementos dos pássaros e das plantas. Todos precisam dos minerais para viver. Minerais, vegetais e animais usam e trocam constantemente os mesmos elementos. A água do corpo humano já viajou repetidamente por milhões de anos, através desse ciclo fechado.
O hidrogênio, um dos elementos constituintes da água, está presente em todo o Universo, no interior do sol ou no gelo, que perambula pelo espaço cósmico. A molécula de carbono que o homem libera pode ter saído de um animal peçonhento algum tempo atrás. A união dos reinos da natureza nos mostra que nada e ninguém é independente. Apesar do seu orgulho, o ser humano não é auto-suficiente, por isso, não pode destruir o grande laboratório ecológico que mantém seu corpo vivo. A cada agressão a um dos reinos da natureza, o corpo humano sofre igualmente. A Organização Meteorológica Mundial, da Organização das Nações Unidas, afirmou que os gases causadores do efeito estufa – fenômeno que gera altas incomuns da temperatura global – alcançaram em 2008 os maiores níveis desde 1750. A partir de 1990, a ação do dióxido de carbono, do metano e do óxido nitroso, os três gases-estufa de longo prazo, capazes de “aprisionar” a radiação solar, se intensificou. O efeito estufa está fora do controle do homem e preocupa a maioria dos países. O Protocolo de Kyoto, que expira em 2012, tem dados mostras de pouca utilidade - por isso, as seguidas tentativas de novas reuniõe de cúpula entre chefes de Estado e chefes de governo para fechar um novo acordo global sobre o clima.
De cada dez cataclismos que ocorrem no planeta, sete são causados por mudança climática. David Barber, da Universidade de Manitoba, no Canadá, em viagem de pesquisa ao Ártico, nos diz que vastos mantos impenetráveis de gelo, com até 80 metros de espessura, que bloquearam durante séculos a rota de navios pela passagem do Atlântico ao Pacífico, estão derretendo. Ao invés dos mantos enormes de gelo, seu navio quebra-gelo encontrou centenas de quilômetros do que chamou de ‘gelo podre’, com camadas de 50 centímetros. O Ártico está esquentando três vezes mais depressa que o restante do Planeta. Quanto mais gelo derrete, faixas maiores de águas marinhas escuras são expostas. Elas absorvem mais luz solar que o gelo e provocam o aquecimento mais rápido. Esse é o indicador precoce do que podemos esperar para o resto da Terra em breve, se não tomarmos as precauções necessárias.
A calota polar da parte oriental do continente antártico está afundando, assim como a parte ocidental, segundo estudos publicados na revista Nature Geoscience. O lado oeste perde gelo em ritmo acelerado desde 2006. Essas mudanças são atribuídas a uma aceleração da perda de gelo nas regiões costeiras. Isso implica em uma alta superior à prevista para o nível dos mares. Esses dados foram examinados durante sete anos pelo satélite Grace. Nesse período, o lado oeste perdeu 132 gigatoneladas de gelo por ano, enquanto que, no lado oriental, a perda foi de menos de 57 gigatoneladas por ano. A Antártida está colaborando de maneira significativa para a elevação do nível dos mares.
Relatório das Nações Unidas estima que um contingente de pelo menos 200 milhões de pessoas serão deslocadas devido à mudança do clima. O litoral do Brasil também poderá ser afetado pois muitas cidades estão situadas ao longo da costa. Estamos no limiar de uma catástrofe. Se o desmatamento persistir, a Floresta Amazônica poderá se transformar em savana. Parte do território brasileiro poderá ser engolido pelo mar. Que 2010 aponte os caminhos para a sobrevivência do próprio homem no Planeta.
Roberto Valverde é perito criminal, concursado pelo Governo do Estado, com curso superior de Criminalística e ex-membro do Conselho Superior no Sindicato dos Peritos Criminais de São Paulo. roberto.valverde@uol.com.br www.peritocriminal.com.br